03/08/2009
Fliporto firma parceria com Cine-PE
Festa Literária de Porto de Galinhas vem em formato enxuto e contempla integração de Cinema e Literatura

Antônio Campos - Entrevista à Folha de Pernambuco
Antônio Campos diz que presença de menos autores garante fluidez ao evento

MÔNICA MELO

A miscigenação do povo brasileiro e a diversidade tão característica das nossas manifestações culturais incitam, de forma recorrente, a reflexão em torno das origens do Brasil. Para aproximar o País daqueles que influenciaram a formação da identidade nacional, a quinta edição da Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), a ser realizada entre 5 e 8 de novembro, propõe-se a viabilizar o intercâmbio entre a ex-colônia e Portugal. Interação compreendida no sentido mais amplo, estendendo-se aos laços entre Brasil e os demais países latinoamericanos e, ainda, à Espanha.

Em consonância com o tema desta edição - “Literatura iberoamericana: interdependências e contemporaneidades” -, em que o diálogo entre culturas é prerrogativa, a confluência das artes revela-se pertinente. A organização do evento, então, promoverá, ainda com mais vigor este ano, a integração entre as artes literárias e as audiovisuais, a partir de uma parceria entre Fliporto e Cine-PE. A coordenação da programação da mostra de cinema coube a Lula Cardoso Ayres Filho, que irá trazer filmes ibéricos adaptados da literatura.

Outra novidade da quinta edição da maior festa do gênero no Nordeste e que figura entre as cinco maiores do País é a redução significativa do número de autores convidados. Em comparação aos 180 escritores participantes em edições passadas, a lista deste ano contempla os nomes de apenas 25 autores. De acordo com o curador geral da Festa, Antônio Campos, a reformatação do evento, além da contenção de custos, foca no melhor aproveitamento das atrações pelo público. “O modelo enxuto se fez necessário para evitar a superposição de mesas e possibilitar maior espaço a cada autor em suas intervenções nas conferências”, esclareceu.

A bandeira defendida pelo evento, a da conexão de culturas e artes diferentes, será evidenciada já na abertura da Festa, no dia 5 de novembro. Para lembrar os 50 anos sem o compositor Heitor Villa-Lobos, uma orquestra irá executar a suíte de “Descobrimento do Brasil”. O diretor Carlos Saura, por sua vez, exibirá “Ibéria”, filme inspirado na suíte homônima do compositor espanhol Isaac Albéniz, falecido há cem anos. Já a conferência de abertura, realizada no centro de convenções do Hotel Armação, contará com a presença do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do aclamado “As veias abertas da América Latina”. Em paralelo à explanação de Galeano, haverá exposição do poeta e gravurista J. Borges, que ilustrou o livro “Palavras Andantes”, do amigo uruguaio.

Entre os participantes confirmados, figuram os espanhóis Jorge Diaz e José Maria Merino e a portuguesa Inês Pedrosa, diretora da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. A autora de “Fica comigo esta noite” (2003) irá compor a mesa dedicada ao debate sobre o poeta português. Presença aguardada é o venezuelano Fernando Báez, que escreveu “História universal da destruição dos livros”. “Tivemos uma grata surpresa diante da pronta resposta de Báez em participar da Festa. Ele

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traz um tema instigante e atual ao demonstrar a necessidade de preservar a História por meio de um instrumento tão importante como o livro”, comenta Antônio Campos. Entre os brasileiros, dividirão mesa o poeta e compositor Arnaldo Antunes e o escritor Nelson Mota para discutir a relação música-poesia. Além do jornalista Laurentino Gomes, autor de “1808”. “Apesar de haver enorme expectativa em torno dos autores já confirmados, ainda serão divulgados grandes nomes da cena literária”, garante o curador.

Para Campos, a Fliporto alcançou a sua quinta edição como um evento no País referência no setor. Segundo ele, a Festa cumpre bem o seu papel de favorecer, além da formação de leitores e divulgação do livro, a aproximação entre países e de escritores com o público. “Entre a América Latina e a Península Ibérica existem mais convergências do que divergências. Brasil e ‘vizinhos’ têm formação comum, com espinha dorsal ibérica. O diálogo entre essas influências será objeto de debate entre os autores durante a Fliporto”, reforça Antônio Campos.