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Publicado por admin em 30 Jun 2009 | sob: Internacionais, Artigos, Notícias
OUVIR BANDEIRA
Antônio Campos
“Ah, em música pôr o que eu então sentia!” Manuel Bandeira
Bandeira na voz de Edson Nery da Fonseca é mais que permanência, mais que presentificação lírica, é mesmo romper o espesso lacre do tempo no campanário dos versos.
Ouvir as letras que se agitam nas páginas quentes de papel é colher o fruto de uma intimidade amorosa com a poesia daquele que é a bandeira literária pernambucana, nosso Bandeira.
A Carpe Diem Editora tem a honra de inaugurar-se com este CD, juntamente com o lançamento simultâneo da terceira edição do livro Alumbramentos e perplexidades, de Edson Nery da Fonseca, para viver Bandeira nos vetores dessas obras-pontes como o é toda grande arte.
Foi o Instituto Maximiano Campos que primeiro lançou este CD (2005) quando se comemorava os oitenta anos de redação e primeira publicação (1925) do poema de Manuel Bandeira “Evocação do Recife”, poema escrito para o Livro do Nordeste, obra coletiva e pluridisciplinar organizada por Gilberto Freyre como parte das comemorações do primeiro centenário do Diário de Pernambuco.
Ao recordar, no livro de memórias Itinerário de Pasárgada, os amigos dos anos 20 que mais o influenciaram, Bandeira incluiu na lista “o nome de Gilberto Freyre, cuja sensibilidade tão pernambucana muito concorreu para me reconduzir ao amor da província, e aquém devo ter podido escrever naquele mesmo ano (1925) a minha “Evocação do Recife”.
O poema passou a fazer parte do livro Libertinagem publicado em 1930 e reproduzido nas obras completas do poeta editadas pela Nova Aguilar e pela Nova Fronteira que, neste ano de 2009, republicará a edição acrescida de parte da prosa e uma extensa fortuna crítica.
Os poemas escolhidos para este CD foram gravados por Edson Nery da Fonseca numa ordem que mostra a íntima ligação da poesia de Manuel Bandeira com sua família, sua identidade civil, a cidade natal, a doença, as crises existenciais e orientações literárias.
Na primeira edição, o Instituto Maximiano Campos contou com apoios definitivos, o da Solombra Books autorizando a reprodução fonográfica e textual dos poemas e o de Helena Meneses que participa da edição no diálogo do Poeta com a Cotovia.
Bandeira acreditava que “na música é que conseguiria exprimir-me completamente”. Edson Nery da Fonseca expõe com maestria a face musical dos poemas. Por certo, o poeta, ao ouvi-lo, se descobria regente de uma grande e afinada orquestra. Coube-nos o privilégio de legar à Literatura Brasileira este CD de peculiar intimidade poética com o autor.
Deixe-se penetrar pelo lirismo nada comedido de Bandeira e…
CARPE DIEM
Publicado por admin em 30 Mar 2009 | sob: Artigos, Mário Hélio
“Damo-nos tão bem um com o outro/ Na companhia de tudo/ Que nunca pensamos um no outro,/ Mas vivemos juntos e dois/ Com um acordo íntimo/ Como a mão direita e a esquerda.” Muitas vezes a situação cultural do Brasil (e os seus vizinhos), Portugal e Espanha (também vizinhos) se assemelha a essa situação descrita por Fernando Pessoa (noutro contexto, é claro). Paradoxal. Temperada com a sensação de que há muito ainda por fazer para celebrar o encontro, a fraternidade, a união entre esses povos.
Gilberto Freyre via com tanta clareza a integração do Brasil a Espanha, Portugal e África que até criou uma ciência para interpretar isso: a tropicologia. João Cabral de Melo Neto disse que os rios Capibaribe (em Pernambuco) e o Guadalquivir (na Andaluzia) eram da “mesma maçonaria”. A verdade é que o Brasil e os seus irmãos de continente integram um mundo comum: o ibérico. É a literatura o melhor meio de provar (saborear) tudo isso.
E se num mesmo porto, numa mesma praia, pudessem confraternizar alguns dos melhores escritores da literatura ibero-americana da atualidade? E se os grandes nomes do iberismo pudessem ser homenageados e tivessem suas obras redescobertas? E se a literatura fizesse o que melhor sabe – dialogar – presente com passado e futuro, poesia erudita com música pop, Gutenberg com Steve Jobs? Seria uma festa. É isso o que pretende ser a Fliporto 2009. Na melhor praia do Brasil a melhor literatura ibero-americana.
Mário Hélio
Coordenador Literário
FLIPORTO | ANO V
Coordenação Geral: Antônio Campos
Coordenação Literária: Mário Hélio
Produção Executiva Geral: Eduardo Côrtes
Gerência Executiva: Leila Teixeira